Os profissionais de teste são considerados 'baratos' para o mercado?

Ontem me deparei com um questionamento interessante de um colega de profissão: na discussão para a composição da equipe que realizará um projeto importante para a sua empresa, a diretoria do departamento de Recursos Humanos justificou a facilidade de negociação de salário com o profissional de Teste a ser contratado em razão deste, ser ‘mais barato do que um profissional da área de desenvolvimento’. Será essa uma verdade?

Temos como base a pesquisas realizadas pela DESIX (http://www.desix.com.br), por revistas especializadas no assunto como a Revista INFO (http://info.abril.com.br) e pelo site Estratégias de Negócios de TI para Líderes Corporativos (http://cio.uol.com.br) as remunerações de TI variam de acordo com o Estado. Até aí, tudo bem. Um Analista Sênior de Testes, por exemplo, pode ganhar mensalmente uma média de R$ 3.800 no Distrito Federal, R$ 3.115 no Rio de Janeiro e R$ 2.950 em São Paulo. Mas em comparação, como exemplo aleatório, a média salarial de um Analista Pleno de Desenvolvimento em Java que gira em torno de R$ 4.000 a R$ 5.500 no Distrito Federal, o cenário muda.

Algumas empresas - como essa de meu colega e várias outras que já presenciei esse tipo de situação - levam em consideração ‘a média salarial do mercado’ e por isso, o profissional do teste torna-se, de certa forma, ‘barato’ na hora da negociação. Presenciei relatos de quadros significantes onde especialistas na área de Testes de Software discutiram, por
exemplo, em forma de Mesa Redonda Online pelo fórum de discussões DFTestes, questões como: “Testar é tão fácil, que até a minha mãe testaria!”. Muitos dos quadros relatados foram de pouco conhecimentos da área por parte gerencial (ou dos sponsors) e a desvalorização do profissional e da atividade realizada. Apesar de atualmente haver maior conscientização em relação aos processos de testes, ocorre ainda em algumas empresas, percebendo-se o funcionário com pouco rendimento na área do desenvolvimento, literalmente empurram-no para a área dos testes com a justificativa de ‘... Ele (a) não vai fazer nada. Só vai testar!’.

Talvez a relação esdrúxula entre a importância dos testes e os profissionais ‘baratos’ está na redução de riscos na ocorrência dos problemas, o estabelecimento de um nível de qualidade que atenda as necessidades do cliente/projeto/produto com testes desorganizados e não eficazes e efetivos, sem planejamento, sem o uso de técnicas, ferramentas e ou profissionais adequados. A esse tipo de situação, damos o título de ‘À espera de um milagre... ’.

O profissional adequado e maduro de teste está sempre preparado para identificar e evitar o gerenciamento de crises. Já foi dito muitas vezes que gerenciar crises custa caro para o projeto, pois o ROI (Retorno sobre Investimento) em testes é obtido com a economia e não com o aumento direto do montante de dinheiro investido (lucro). É preciso mudar a ‘mentalidade’ das empresas no que tange a não ter tempo para planejar, mas ter dinheiro para refazer. A mudança trará benefícios para ambas às partes.

Acredito que a importância de cada profissional deve ser baseada na autovalorização. Lembrem-se: Muita oferta, o preço cai, pouca oferta o preço sobe. Então, estude! Valorize-se! Se não tivéssemos profissionais eficientes e eficazes de testes talvez não estivéssemos nem ao menos lendo esse artigo...

Abraços!